Era primeiro de janeiro de 2011. Acordei no sofá da casa de uma amiga por volta das 10:30 da manhã. Eu tinha dormido por apenas quatro horas. Andei pela casa, verifiquei os quartos, apenas eu estava acordado. Na cozinha, encontrei uma cesta com frutas. Comi quatro bananas. Tomei um gole d'água, deixei um bilhete agradecendo a estadia e fui até a porta.
Quatro trincas diferentes me separavam do mundo lá fora. Olhei em volta e avistei um molho de chaves enorme. Rapidamente consegui abrir três das quatro trincas, só não conseguia encontrar a chave para a quarta. Voltei para a cozinha e encontrei 2 molhos de chaves pendurados em um outro chaveiro. Tentei todas as chaves. Todas. Não consegui abrir com nenhuma.
Resolvi pegar o molho de chaves onde tudo começou. Novamente tentei abrir a trinca chave por chave. Aquela porta se tornou meu 2010, muitas respostas, mas nenhuma delas era a solução. Até que enfim, enfiei uma chave aleatória com jeitinho e consegui abri-la. Fechei a porta e saí correndo pelas escadas. Me senti saindo de 2010.
Naquelas últimas 12 horas eu havia passado por 4 apartamentos diferentes. Pelas ruas de Copacabana vi pessoas dormindo nas ruas à espera de ônibus , piriguetes aliviando suas bexigas por entre a saia, amigos bêbados rodopiando em postes enquanto cantarolavam Singin' in the Rain.
O dono de um desses apartamentos tinha aparecido em uma matéria da Bandeirantes há pouco tempo. O Fluminense tinha sido campeão brasileiro, e ele foi entrevistado bêbado de alegria. "Inadmíssivel" se tornou memorável. Na época da festa de Reveillon na casa dele, eu ainda não tinha assistido o vídeo. E pra ter uma chance de não pagar a entrada, também evitei de olhar pra cara dele.
Assista antes de continuar: http://www.youtube.com/watch?v=MbS6mvnoxxAQuatro trincas diferentes me separavam do mundo lá fora. Olhei em volta e avistei um molho de chaves enorme. Rapidamente consegui abrir três das quatro trincas, só não conseguia encontrar a chave para a quarta. Voltei para a cozinha e encontrei 2 molhos de chaves pendurados em um outro chaveiro. Tentei todas as chaves. Todas. Não consegui abrir com nenhuma.
Resolvi pegar o molho de chaves onde tudo começou. Novamente tentei abrir a trinca chave por chave. Aquela porta se tornou meu 2010, muitas respostas, mas nenhuma delas era a solução. Até que enfim, enfiei uma chave aleatória com jeitinho e consegui abri-la. Fechei a porta e saí correndo pelas escadas. Me senti saindo de 2010.
Naquelas últimas 12 horas eu havia passado por 4 apartamentos diferentes. Pelas ruas de Copacabana vi pessoas dormindo nas ruas à espera de ônibus , piriguetes aliviando suas bexigas por entre a saia, amigos bêbados rodopiando em postes enquanto cantarolavam Singin' in the Rain.
O dono de um desses apartamentos tinha aparecido em uma matéria da Bandeirantes há pouco tempo. O Fluminense tinha sido campeão brasileiro, e ele foi entrevistado bêbado de alegria. "Inadmíssivel" se tornou memorável. Na época da festa de Reveillon na casa dele, eu ainda não tinha assistido o vídeo. E pra ter uma chance de não pagar a entrada, também evitei de olhar pra cara dele.
A história pula para junho de 2011. Eu e meus amigos havíamos combinado de se encontrar em um Pub Irlandês. Eu estava uma hora atrasado. Enquanto o segurança examinava minha carteira de identidade, vi um casal descendo as escadas. Era ele! O "Inadmissível" e sua namorada. Rapidamente pensei em falar alguma coisa. Quando eles chegaram mais perto eu perguntei:
- Você é o "Inadmissível"?
Ele olhou meio assustado e depois em um misto de surpresa e alegria respondeu:
- Sou... Porque!?
- Eu lembro de ter te visto na televisão.
Muito bem humorado, e com brilho nos olhos, ele começou a se explicar:
- Rapaz, aquele dia eu estava alegre pelo meu time ter sido campeão brasileiro, então comecei a falar e depois eu me enrolei com as palavras...
Não lembro muito bem o restante da explicação dele, mas o vídeo é bem auto-explicativo. Eu ria pela situação tripla. Ele não se lembrava de mim do dia do Reveillon, eu estava fingindo que eu não o conhecia, e ele estava muito alegre por ter sido reconhecido por um estranho. Então contei a ele uma verdade:
- No outro dia eu estava no ônibus, e te vi passando na rua. Eu até ia gritar "INADMISSÍVEL!", mas eu tava com vergonha das outras pessoas dentro do ônibus.
- Aaah, pode gritar! Pode gritar, tamo junto!
Enquanto ria, ele colocou a mão no meu ombro como se estivesse se preparando para apertar a minha mão, e perguntou:
- Você também é Fluminense?
- Não...
Ele fechou um pouco a cara. Eu disse o meu time imediatamente.
- Sou Santos!
Ele abriu a cara novamente com outro sorriso denovo.
- Ah... Sendo assim meus parabéns então pela Libertadores!
Eu agradeci. A namorada dele dava gargalhadas no fundo. Ele apertou minha mão e fez sinal de que ia embora.
- Olha, da próxima vez grita mesmo hein! A gente se vê por aí meu amigo!
- Ah, pode deixar! Valeu!
Ele e a namorada se entreolharam e começaram a gargalhar ainda mais enquanto iam embora. Durante a conversa até pensei em dizer a ele que eu conhecia seus amigos, mas ele ficou tão feliz que resolvi não contar a verdade. Subi as escadas do Pub Irlândes e me encontrei com os meus amigos.