quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um Calor de Evaporar


E eu evaporei. Assim, de repente, diante do calor de mais de 40 graus do Rio de Janeiro. Ninguém no ônibus reparou, mas comecei a flutuar e a sair pela janela. Agora que evaporei, talvez eu chegue na faculdade mais rápido, pensei. Mas estava enganado. Eu não poderia seguir ao meu destino. Ao invés, não parava de subir e subir. E em pouco tempo, a cidade maravilhosa ficou distante. Me acomodei em uma nuvem. Tive um pouco de sorte, notei que os ventos me sopravam na direção certa. Eu não saberia dizer se a nuvem era composta por outros cariocas, ou se eu era o único privilegiado. A sensação de ser um com a nuvem era maravilhosa. O vento não apenas acariciava meu rosto, como também me atravessava suavemente.

Uma viagem assim era muito melhor do que enfrentar o trânsito caótico da cidade. O sol raiava como nunca e o céu permanecia azul. Exceto pela minha pequena nuvem e uma cinzenta que se aproximava. Comecei a temer uma colisão, e logo foi que aconteceu. Estava me sentindo instável, como uma rolha de champagne prestes à ser lançada ao ar. E com a pressão eu voei. Fui caindo e caindo. As gotas em volta de mim eram grossas e rudes. Nunca as tinha visto tão grandes assim. Fui caindo e caindo. Me senti saltando de um avião sem meus paraquedas. Minha trajetória sem destino certo. Com o reflexo do sol, colaborei com o arco íris que pincelava o céu acima do Cristo. Fui caindo e caindo. Eu me aproximava da cidade. Não queria que aquilo tivesse fim, e muito menos que eu me esborrachasse. E de repente, tudo ficou cinza. Talvez eu tivesse caído no chão. Fiquei desnorteado deslizando de um lado para o outro por uma superfície lisa. Até que fui incorporado a algo maior do que eu. Com a minha perna direita, tentei me erguer. Percebi que tinha pernas novamente. Ainda encharcado, comecei a andar pelas ruas. Ninguém percebeu que uma pessoa tinha ressurgido de uma poça. Talvez imaginaram que eu tivesse caído nela. Com o sol forte, fiquei seco rapidinho. E assim corri para o meu destino antes que fosse evaporado outra vez.

sábado, 12 de outubro de 2013

Você Não É Ninguém


Porque quando você é mais novo você se acha especial. Você é um super-herói. O mundo precisa de você. Você é o mundo e essa é a sua dádiva.

Seria mentira dizer que enquanto você vai crescendo, você vai descobrindo que não é bem assim. A chicotada é muito mais forte. É súbita. Um dia você descobre que não é ninguém.

Mas existem vários lados de se olhar isso.

Um é se manter assim e aceitar o ninguém que você é.

Dois é perceber que você tem a chance de se tornar quem você quiser e da forma que você quiser.

Três é perceber que você tem a chance de se tornar quem você quiser e da forma que você quiser e AGIR para tornar isso REAL.

E é um longo caminho. Mas que começa com pequenos passos.

Você não vai precisar de: Tesoura Sem Ponta.

Sugiro as seguintes medidas:

1. Descubra a sua paixão, algo que você ama. Algo no qual você gostaria de trabalhar. Não pense no salário, nem se existe vestibular pra isso. Se você realmente amar o que você faz, e com competência, não tem como dar errado na vida.  Culinária? Música? Massagem Tântrica?

2. As pequenas atitudes são as que geram as maiores mudanças. Pergunte-se como melhorar naquilo que você escolheu no passo anterior. É preciso praticar mais? Um professor ou um curso melhor?

3. Envolva-se. Aprofunde-se.  Não aceite limites de velocidade. Vá além. Estude, pratique, trabalhe. Com o tempo você irá conhecer pessoas com a mesma paixão que você. E quanto mais você seguir o caminho do que você ama, novas e melhores possibilidades de se viver feliz e realizado vão aparecer no campo que você escolheu.

E talvez um dia você perceba que não é ninguém.

sábado, 28 de setembro de 2013

Agora

Ele estava com um grande problema. Tinha que resolver aquilo de qualquer jeito. Não sabia como iria viver depois que se formasse na faculdade. E o aluguel caso fosse morar sozinho, teria como pagar? Assim que chegasse em casa, deveria se inscrever em alguns concursos públicos. Se ele conseguisse algum emprego, não sabia como iria dar conta de escrever a monografia. E o estágio, ia largar?  E assim bateu com a cabeça no poste. Preocupado com o futuro, não se deu conta do agora.