"E então veio uma garota
A dríade do bosque
com uma placa em sua porta dizendo:
"Se você entrar
você deve me perdoar por tudo!"
E então ela veio até a minha cerca
E estendeu uma mão que eu tive que pegar
Que eu simplesmente tive que pegar. "
E talvez o motivo pelo qual os momentos de pura felicidade ocorressem tão raramente fosse por causa da ansiedade. É a ansiedade que nos faz sofrer. Ao invés de aproveitarmos somente a dádiva de estarmos vivos, valorizarmos o momento, vivemos como se a nossa felicidade dependesse solenemente do que o que pode ser, ou do que ainda pode acontecer.
Poema escrito por Daniel Gildenlöw, com algumas adaptações.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Aprendizados Aleatórios do Ano de 2011
Eu sei, o ano nem acabou ainda. Mas acho que não devemos nos analisar apenas no final do ano. Devemos fazer uma retrospectiva e analisar o que estamos fazendo da nossa vida em qualquer época do ano, e não apenas quando "Já é Natal na Leader Magazine". Acho que tudo que aprendemos deve ser passado adiante, para que as outras pessoas não cometam os mesmos erros.
Quando eu tinha 10 anos, me imaginava aos 20 como um homem realizado, que já sabia tudo da vida. Agora, eu não tenho dúvidas de que aos 50 anos eu só estarei um pouco mais vivido, e um pouco menos perdido. Seria inviável explicar a história por trás de cada ensinamento. Mas tentei explicar os que para mim foram os mais importantes. Então lá vai...
1. Numa discussão, não tem nem certo, nem errado. Cada um acredita no que bem entender. Apenas exponha seus argumentos e seja feliz com isso. Tentar convencer o outro a qualquer custo é perda de tempo.
2. Por mais romântico, clichê e piegas que isso possa soar. Beijar é um carinho íntimo.
3. Não é porque as feridas já estão cicatrizadas, que você tem o direito de analisá-las com uma faca...
4. Ao tomar decisões, se sinta bem consigo mesmo. É melhor cometer erros seguindo o seu coração do que errar seguindo o conselho dos outros.
5. Seu Deus está dentro de você, não nas páginas de um livro milenar, nem nas palavras proferidas por um profeta.
6. As pessoas não são uma idade, nem uma profissão. Por trás daquele atendente de telemarketing, há um coração. Acredite. Um coração que dá vonta de enfiar uma estaca. Mas ainda assim um coração.
7. É melhor ser você mesmo para se satisfazer, do que ser uma pessoa que você não é, apenas para satisfazer uma outra.
8. Num relacionamento, namore, apaixone-se, viva cada segundo intensamente. Se terminar, desapegue-se, e não espere nada em troca. Saia pela porta da frente, e feche-a antes de sair.
9. Se fizer algo por outra pessoa, que seja porque você quer. Nunca esperando algo em troca. Nessa vida, ninguém deve nada a ninguém.
10. Encontre um motivo para acordar todos os dias. Uma paixão. Um propósito na vida (que não seja uma outra pessoa). E não descanse até encontrá-lo.
11. A honestidade é uma arma muito poderosa. Poupa o seu tempo, e ainda te faz se sentir incrivelmente bem.
12. Dois passos pra frente, e um passo pra trás. Por muito tempo detestei o fato da vida andar dessa maneira. Mas aprendi a gostar. Quando andamos sem dar passos para trás, ignoramos os obstáculos que estarão presos nos nossos pés e nos atrasando por muito tempo. O passo para trás te dá direito de pensar na situação, te faz pensar se é isso o que você realmente quer, ou se você deseja tomar uma direção diferente.
13. Existem as pessoas que vivem na merda, e as pessoas que tentam sair da merda. E isso faz toda a diferença.
14. O futuro se faz no presente. Plante hoje o que deseja colher amanhã.
15. Amor não é algo que você sente por uma pessoa, mas algo que você deposita em uma pessoa. Se alguém não deseja o seu amor, encontre alguém que vá aproveitar, oras.
16. Na vida existem os períodos de altos e baixos, como se fosse uma gangorra. Aproveite todos esses momentos. Seja o frio na barriga ao subir, quanto a queda ao descer. É possível aproveitar tanto o marasmo de ficar deitado numa cama o dia inteiro, quanto a aventura de um dia emocionante.
17. Dor? Chore. Felicidade? Soria. Não deixe nada guardado por dentro, sempre se expresse.
18. Jogue com as cartas que a vida te dá, ou lute para conseguir cartas novas. Só não vale ficar parado durante a sua vez de jogar.
19. Aprenda a viver consigo mesmo, para depois aprender a viver com as outras pessoas.
20. Ame a si mesmo antes de amar o próximo. Claro, sem cair no egoísmo. Sempre há um ponto de equilíbrio.
21. Seja honesto com o mundo e consigo mesmo. O universo só vai te escutar se você expressar seus desejos em voz alta.
As vezes eu penso se a vida vai me derrubar e tornar todas essas linhas completamente obsoletas. Mas por agora, é com essas crenças que eu vou vivendo. Um bom final de ano para todos!
Quando eu tinha 10 anos, me imaginava aos 20 como um homem realizado, que já sabia tudo da vida. Agora, eu não tenho dúvidas de que aos 50 anos eu só estarei um pouco mais vivido, e um pouco menos perdido. Seria inviável explicar a história por trás de cada ensinamento. Mas tentei explicar os que para mim foram os mais importantes. Então lá vai...
1. Numa discussão, não tem nem certo, nem errado. Cada um acredita no que bem entender. Apenas exponha seus argumentos e seja feliz com isso. Tentar convencer o outro a qualquer custo é perda de tempo.
2. Por mais romântico, clichê e piegas que isso possa soar. Beijar é um carinho íntimo.
3. Não é porque as feridas já estão cicatrizadas, que você tem o direito de analisá-las com uma faca...
4. Ao tomar decisões, se sinta bem consigo mesmo. É melhor cometer erros seguindo o seu coração do que errar seguindo o conselho dos outros.
5. Seu Deus está dentro de você, não nas páginas de um livro milenar, nem nas palavras proferidas por um profeta.
6. As pessoas não são uma idade, nem uma profissão. Por trás daquele atendente de telemarketing, há um coração. Acredite. Um coração que dá vonta de enfiar uma estaca. Mas ainda assim um coração.
7. É melhor ser você mesmo para se satisfazer, do que ser uma pessoa que você não é, apenas para satisfazer uma outra.
8. Num relacionamento, namore, apaixone-se, viva cada segundo intensamente. Se terminar, desapegue-se, e não espere nada em troca. Saia pela porta da frente, e feche-a antes de sair.
9. Se fizer algo por outra pessoa, que seja porque você quer. Nunca esperando algo em troca. Nessa vida, ninguém deve nada a ninguém.
10. Encontre um motivo para acordar todos os dias. Uma paixão. Um propósito na vida (que não seja uma outra pessoa). E não descanse até encontrá-lo.
11. A honestidade é uma arma muito poderosa. Poupa o seu tempo, e ainda te faz se sentir incrivelmente bem.
12. Dois passos pra frente, e um passo pra trás. Por muito tempo detestei o fato da vida andar dessa maneira. Mas aprendi a gostar. Quando andamos sem dar passos para trás, ignoramos os obstáculos que estarão presos nos nossos pés e nos atrasando por muito tempo. O passo para trás te dá direito de pensar na situação, te faz pensar se é isso o que você realmente quer, ou se você deseja tomar uma direção diferente.
13. Existem as pessoas que vivem na merda, e as pessoas que tentam sair da merda. E isso faz toda a diferença.
14. O futuro se faz no presente. Plante hoje o que deseja colher amanhã.
15. Amor não é algo que você sente por uma pessoa, mas algo que você deposita em uma pessoa. Se alguém não deseja o seu amor, encontre alguém que vá aproveitar, oras.
16. Na vida existem os períodos de altos e baixos, como se fosse uma gangorra. Aproveite todos esses momentos. Seja o frio na barriga ao subir, quanto a queda ao descer. É possível aproveitar tanto o marasmo de ficar deitado numa cama o dia inteiro, quanto a aventura de um dia emocionante.
17. Dor? Chore. Felicidade? Soria. Não deixe nada guardado por dentro, sempre se expresse.
18. Jogue com as cartas que a vida te dá, ou lute para conseguir cartas novas. Só não vale ficar parado durante a sua vez de jogar.
19. Aprenda a viver consigo mesmo, para depois aprender a viver com as outras pessoas.
20. Ame a si mesmo antes de amar o próximo. Claro, sem cair no egoísmo. Sempre há um ponto de equilíbrio.
21. Seja honesto com o mundo e consigo mesmo. O universo só vai te escutar se você expressar seus desejos em voz alta.
As vezes eu penso se a vida vai me derrubar e tornar todas essas linhas completamente obsoletas. Mas por agora, é com essas crenças que eu vou vivendo. Um bom final de ano para todos!
terça-feira, 18 de outubro de 2011
A Sorte de um Amor Tranquilo
- Eu também queria ter um affair com uma mulher casada de 30 anos...
- Não queira...
- Por que?
- Porque não passa de uma paixão, e paixões são explosivas. No início é legal, a vida é uma aventura e nada pode te parar. Mas com o tempo... cansa. Eu quero como o Cazuza disse, "ter a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida". Sabe, a gente acaba gostando mais da idéia de se apaixonar, do que de gostar de alguém. Acaba se apaixonando por se apaixonar, do que se apaixona por alguém de verdade.
- Vou colocar isso no meu blog, pode repetir por favor?
- Não queira...
- Por que?
- Porque não passa de uma paixão, e paixões são explosivas. No início é legal, a vida é uma aventura e nada pode te parar. Mas com o tempo... cansa. Eu quero como o Cazuza disse, "ter a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida". Sabe, a gente acaba gostando mais da idéia de se apaixonar, do que de gostar de alguém. Acaba se apaixonando por se apaixonar, do que se apaixona por alguém de verdade.
- Vou colocar isso no meu blog, pode repetir por favor?
terça-feira, 20 de setembro de 2011
A Gangorra da Vida
E então eu me dei conta de que na vida eu nunca conseguiria o equílibrio como em uma balança. A vida funcionava mais como uma gangorra. Ou eu estava no céu, ou eu estava no chão. E no final das contas, começar no topo dessa gangorra não tinha a menor graça. O que dava o prazer de estar no topo era dar o impulso, partir em grande velocidade, sentir o vento no rosto e apreciar a visão lá de cima. E toda vez que eu descia, tentava com ainda mais força voltar ao céu. Percebi que de nada adiantava estar no topo se a verdadeira emoção era a viagem.
E mesmo com essa sensação familiar, eu ainda me sentia afetado pelo frio na barriga Já andei nessa gangorra muitas vezes, mas nunca paro de me surpreender...
E mesmo com essa sensação familiar, eu ainda me sentia afetado pelo frio na barriga Já andei nessa gangorra muitas vezes, mas nunca paro de me surpreender...
domingo, 7 de agosto de 2011
Gabriel Melgaço contra o Ministério da Saúde
Passava os dedos entre os livros sublinhando o nome dos autores. Aproveitava o tempo daquele último dia de férias na livraria. Já havia poupado mais de cem reais lendo trechos de livros famosos, e desconhecidos. Ao anoitecer, fui em busca do remédio.
Saí pelas ruas. Na primeira esquina, o letreiro amarelado da drograria me chamava. Entrei. Pedi ao atendente o que eu buscava.
- Você tem a prescrição médica para esse remédio?
- Mensagem de texto de mãe serve?
- Não.
- Tá.
Eu poderia ter ficado chateado, desmotivado, mas lembrei de Joseph Climber. Persisti. Passei por mais quatro drogarias. Entrava nas farmácias perguntando pelo remédio como se fosse a primeira vez. Todos os atendentes sempre pediam pela prescrição, e eu saía das farmácias de mão abanando.
Mais próximo de casa, encontrei um humilde estabelecimento. Entrei decidido. Pedi pelo remédio. Dessa vez o atendente não me questionou e foi buscá-lo. Temi pela intervenção dos outros atendentes, mas os melhores momentos de Santos e Ceará os deixava distraídos. Se eu estivesse vestido com a camisa do meu time do coração, beijaria o escudo naquele momento.
Os segundos passavam como minutos enquanto o remédio era embrulhado na sacola plástica.
Saí da pequena farmácia com um largo sorriso no rosto. O desafio me instigou. E não havia nada melhor do que a sensação de vitória.
Saí pelas ruas. Na primeira esquina, o letreiro amarelado da drograria me chamava. Entrei. Pedi ao atendente o que eu buscava.
- Você tem a prescrição médica para esse remédio?
- Mensagem de texto de mãe serve?
- Não.
- Tá.
Eu poderia ter ficado chateado, desmotivado, mas lembrei de Joseph Climber. Persisti. Passei por mais quatro drogarias. Entrava nas farmácias perguntando pelo remédio como se fosse a primeira vez. Todos os atendentes sempre pediam pela prescrição, e eu saía das farmácias de mão abanando.
Mais próximo de casa, encontrei um humilde estabelecimento. Entrei decidido. Pedi pelo remédio. Dessa vez o atendente não me questionou e foi buscá-lo. Temi pela intervenção dos outros atendentes, mas os melhores momentos de Santos e Ceará os deixava distraídos. Se eu estivesse vestido com a camisa do meu time do coração, beijaria o escudo naquele momento.
Os segundos passavam como minutos enquanto o remédio era embrulhado na sacola plástica.
Saí da pequena farmácia com um largo sorriso no rosto. O desafio me instigou. E não havia nada melhor do que a sensação de vitória.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Um Reveillon Inadmissível
Era primeiro de janeiro de 2011. Acordei no sofá da casa de uma amiga por volta das 10:30 da manhã. Eu tinha dormido por apenas quatro horas. Andei pela casa, verifiquei os quartos, apenas eu estava acordado. Na cozinha, encontrei uma cesta com frutas. Comi quatro bananas. Tomei um gole d'água, deixei um bilhete agradecendo a estadia e fui até a porta.
Quatro trincas diferentes me separavam do mundo lá fora. Olhei em volta e avistei um molho de chaves enorme. Rapidamente consegui abrir três das quatro trincas, só não conseguia encontrar a chave para a quarta. Voltei para a cozinha e encontrei 2 molhos de chaves pendurados em um outro chaveiro. Tentei todas as chaves. Todas. Não consegui abrir com nenhuma.
Resolvi pegar o molho de chaves onde tudo começou. Novamente tentei abrir a trinca chave por chave. Aquela porta se tornou meu 2010, muitas respostas, mas nenhuma delas era a solução. Até que enfim, enfiei uma chave aleatória com jeitinho e consegui abri-la. Fechei a porta e saí correndo pelas escadas. Me senti saindo de 2010.
Naquelas últimas 12 horas eu havia passado por 4 apartamentos diferentes. Pelas ruas de Copacabana vi pessoas dormindo nas ruas à espera de ônibus , piriguetes aliviando suas bexigas por entre a saia, amigos bêbados rodopiando em postes enquanto cantarolavam Singin' in the Rain.
O dono de um desses apartamentos tinha aparecido em uma matéria da Bandeirantes há pouco tempo. O Fluminense tinha sido campeão brasileiro, e ele foi entrevistado bêbado de alegria. "Inadmíssivel" se tornou memorável. Na época da festa de Reveillon na casa dele, eu ainda não tinha assistido o vídeo. E pra ter uma chance de não pagar a entrada, também evitei de olhar pra cara dele.
Assista antes de continuar: http://www.youtube.com/watch?v=MbS6mvnoxxAQuatro trincas diferentes me separavam do mundo lá fora. Olhei em volta e avistei um molho de chaves enorme. Rapidamente consegui abrir três das quatro trincas, só não conseguia encontrar a chave para a quarta. Voltei para a cozinha e encontrei 2 molhos de chaves pendurados em um outro chaveiro. Tentei todas as chaves. Todas. Não consegui abrir com nenhuma.
Resolvi pegar o molho de chaves onde tudo começou. Novamente tentei abrir a trinca chave por chave. Aquela porta se tornou meu 2010, muitas respostas, mas nenhuma delas era a solução. Até que enfim, enfiei uma chave aleatória com jeitinho e consegui abri-la. Fechei a porta e saí correndo pelas escadas. Me senti saindo de 2010.
Naquelas últimas 12 horas eu havia passado por 4 apartamentos diferentes. Pelas ruas de Copacabana vi pessoas dormindo nas ruas à espera de ônibus , piriguetes aliviando suas bexigas por entre a saia, amigos bêbados rodopiando em postes enquanto cantarolavam Singin' in the Rain.
O dono de um desses apartamentos tinha aparecido em uma matéria da Bandeirantes há pouco tempo. O Fluminense tinha sido campeão brasileiro, e ele foi entrevistado bêbado de alegria. "Inadmíssivel" se tornou memorável. Na época da festa de Reveillon na casa dele, eu ainda não tinha assistido o vídeo. E pra ter uma chance de não pagar a entrada, também evitei de olhar pra cara dele.
A história pula para junho de 2011. Eu e meus amigos havíamos combinado de se encontrar em um Pub Irlandês. Eu estava uma hora atrasado. Enquanto o segurança examinava minha carteira de identidade, vi um casal descendo as escadas. Era ele! O "Inadmissível" e sua namorada. Rapidamente pensei em falar alguma coisa. Quando eles chegaram mais perto eu perguntei:
- Você é o "Inadmissível"?
Ele olhou meio assustado e depois em um misto de surpresa e alegria respondeu:
- Sou... Porque!?
- Eu lembro de ter te visto na televisão.
Muito bem humorado, e com brilho nos olhos, ele começou a se explicar:
- Rapaz, aquele dia eu estava alegre pelo meu time ter sido campeão brasileiro, então comecei a falar e depois eu me enrolei com as palavras...
Não lembro muito bem o restante da explicação dele, mas o vídeo é bem auto-explicativo. Eu ria pela situação tripla. Ele não se lembrava de mim do dia do Reveillon, eu estava fingindo que eu não o conhecia, e ele estava muito alegre por ter sido reconhecido por um estranho. Então contei a ele uma verdade:
- No outro dia eu estava no ônibus, e te vi passando na rua. Eu até ia gritar "INADMISSÍVEL!", mas eu tava com vergonha das outras pessoas dentro do ônibus.
- Aaah, pode gritar! Pode gritar, tamo junto!
Enquanto ria, ele colocou a mão no meu ombro como se estivesse se preparando para apertar a minha mão, e perguntou:
- Você também é Fluminense?
- Não...
Ele fechou um pouco a cara. Eu disse o meu time imediatamente.
- Sou Santos!
Ele abriu a cara novamente com outro sorriso denovo.
- Ah... Sendo assim meus parabéns então pela Libertadores!
Eu agradeci. A namorada dele dava gargalhadas no fundo. Ele apertou minha mão e fez sinal de que ia embora.
- Olha, da próxima vez grita mesmo hein! A gente se vê por aí meu amigo!
- Ah, pode deixar! Valeu!
Ele e a namorada se entreolharam e começaram a gargalhar ainda mais enquanto iam embora. Durante a conversa até pensei em dizer a ele que eu conhecia seus amigos, mas ele ficou tão feliz que resolvi não contar a verdade. Subi as escadas do Pub Irlândes e me encontrei com os meus amigos.
domingo, 15 de maio de 2011
Perigo na Sexta Feira 13
Desci do ônibus próximo ao shopping. No meio da multidão de pessoas vi de relance um rosto conhecido. Ele passou rapidamente, mas olhando para a mochila em suas costas pude confirmar. Era o jovem matemático do dilúvio passado.
Lembrando a despedida no metrô, recordei que eu não tinha buscado por nenhuma forma de contato propositalmente. Eu queria fazer um teste. Deixar nas mãos do universo, do destino ou seja lá qual for a força superior existente qualquer forma de reencontro com os estranhos que eu estava conhecendo esse ano. Isso valia para a mestranda em nutrição, o metaleiro do metrô e a quarentona das Laranjeiras.
Já passavam das 22 horas quando eu caminhava por uma rua escura próxima à minha. Na calçada da direita havia um grupo de três meninos. Na verdade,escolha o substantivo que quiser. Pivetes, meninos cracudos, batutinhas. Eles andavam como se fossem os donos da rua.
Eu segui pela minha calçada atento. Não havia mais ninguém por perto. Antes de chegar na esquina, avistei uma menina. Ela parecia esta arrumada para uma festa e para ser vítima de Jason. Assim que ela viu os meninos, mudou para a minha calçada.
Ela ficou parada no meio da esquina, como se estivesse esperando eu chegar perto. Ela fez uma série de movimentos em menos de 5 segundos. Arrumou a bolsa, pegou no celular, olhou pra baixo, deu meia volta. Ela estava com medo. Na nuvem de Dolce & Gabbana dava pra sentir o cheiro da adrenalina.
Chegando perto dela, uma série de coisas passaram pela minha cabeça em menos tempo ainda. Eu achei que era melhor falar algo do que ficar calado. E então apontando para a direção oposta do meu caminho e me esforçando ao máximo para não parecer o maníaco do parque, eu perguntei:
- Você quer passar pra lá?
Ela deu uma tremida de leve assim que eu comecei a dizer a primeira sílaba, e depois olhou pra mim com um sorriso nervoso. Ela não disse nada. Apenas assentiu com cara de assustada.
Dei meia-volta. Ela a princípio me deixou andando um passo a frente. Depois que os meninos passaram da nossa linha de visão, ela começou a andar na minha frente e olhando para trás. Quanto desespero! Nem falei nada. Talvez ela naquele momento apenas estivesse pensando que era uma legítima sexta feira 13, enquanto eu só descobriria ao chegar em casa.
Quando chegamos no final da rua ela se acalmou. O barulho dos carros e pedestres foram a sinfonia da sua serenidade. Eu me sentia telespectador das grandes emoções que a criatura estava passando.
- Tá tudo bem agora?
Ela me agradeceu e confessou que estava muito nervosa., não conhecia essas ruas e provavelmente teria se perdido se procurasse outro caminho."Você me salvou". Eu fiquei sem graça, é claro. Respondi ao agradecimento dizendo que não havia sido nada. Eu tive vontade de continuar a conversa, mas algo me disse que havia chegado a minha hora. Eu tinha que ir, e ela também. E então cada um seguiu o seu caminho.
Na verdade eu não era tão herói assim. Eu conhecia um deles. Um dos garotos. Morava próximo a mim. Era um largado no mundo, vivia pelas ruas. Parecia um arruaceiro, mas eu desconhecia se ele já havia feito algo grave. No final das contas, me senti como se eu tivesse oferecido o meu assento para uma idosa, quando faltam menos de 30 segundos para o metrô chegar na minha estação. Agradecimentos, bom karma e energia positiva de graça. E ás vezes até mesmo uma balinha.
Lembrando a despedida no metrô, recordei que eu não tinha buscado por nenhuma forma de contato propositalmente. Eu queria fazer um teste. Deixar nas mãos do universo, do destino ou seja lá qual for a força superior existente qualquer forma de reencontro com os estranhos que eu estava conhecendo esse ano. Isso valia para a mestranda em nutrição, o metaleiro do metrô e a quarentona das Laranjeiras.
Já passavam das 22 horas quando eu caminhava por uma rua escura próxima à minha. Na calçada da direita havia um grupo de três meninos. Na verdade,escolha o substantivo que quiser. Pivetes, meninos cracudos, batutinhas. Eles andavam como se fossem os donos da rua.
Eu segui pela minha calçada atento. Não havia mais ninguém por perto. Antes de chegar na esquina, avistei uma menina. Ela parecia esta arrumada para uma festa e para ser vítima de Jason. Assim que ela viu os meninos, mudou para a minha calçada.
Ela ficou parada no meio da esquina, como se estivesse esperando eu chegar perto. Ela fez uma série de movimentos em menos de 5 segundos. Arrumou a bolsa, pegou no celular, olhou pra baixo, deu meia volta. Ela estava com medo. Na nuvem de Dolce & Gabbana dava pra sentir o cheiro da adrenalina.
Chegando perto dela, uma série de coisas passaram pela minha cabeça em menos tempo ainda. Eu achei que era melhor falar algo do que ficar calado. E então apontando para a direção oposta do meu caminho e me esforçando ao máximo para não parecer o maníaco do parque, eu perguntei:
- Você quer passar pra lá?
Ela deu uma tremida de leve assim que eu comecei a dizer a primeira sílaba, e depois olhou pra mim com um sorriso nervoso. Ela não disse nada. Apenas assentiu com cara de assustada.
Dei meia-volta. Ela a princípio me deixou andando um passo a frente. Depois que os meninos passaram da nossa linha de visão, ela começou a andar na minha frente e olhando para trás. Quanto desespero! Nem falei nada. Talvez ela naquele momento apenas estivesse pensando que era uma legítima sexta feira 13, enquanto eu só descobriria ao chegar em casa.
Quando chegamos no final da rua ela se acalmou. O barulho dos carros e pedestres foram a sinfonia da sua serenidade. Eu me sentia telespectador das grandes emoções que a criatura estava passando.
- Tá tudo bem agora?
Ela me agradeceu e confessou que estava muito nervosa., não conhecia essas ruas e provavelmente teria se perdido se procurasse outro caminho."Você me salvou". Eu fiquei sem graça, é claro. Respondi ao agradecimento dizendo que não havia sido nada. Eu tive vontade de continuar a conversa, mas algo me disse que havia chegado a minha hora. Eu tinha que ir, e ela também. E então cada um seguiu o seu caminho.
Na verdade eu não era tão herói assim. Eu conhecia um deles. Um dos garotos. Morava próximo a mim. Era um largado no mundo, vivia pelas ruas. Parecia um arruaceiro, mas eu desconhecia se ele já havia feito algo grave. No final das contas, me senti como se eu tivesse oferecido o meu assento para uma idosa, quando faltam menos de 30 segundos para o metrô chegar na minha estação. Agradecimentos, bom karma e energia positiva de graça. E ás vezes até mesmo uma balinha.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Sobrevivendo a um Dilúvio Apocalíptico Tijucano
Eram 21:15 da noite. Quando vi a tempestade, não parei para pensar. Vi que meu ônibus estava parado no ponto e corri o mais rápido que pude. Paguei os R$ 2,40 ao trocador e encontrei um assento no fundo do ônibus. Encharcado, sequei meus óculos e já comecei a me preparar para mais uma jornada musical até minha casa. A chuva ficou mais forte. O ônibus não andou muito até que parou e não se moveu mais.
As pessoas levantavam de seus assentos e iam até o motorista perguntar o que estava acontecendo.
- Tem muitos carros enguiçados lá na frente por causa da chuva, por isso que está esse trânsito. Depois que os carros forem rebocados a gente vai poder continuar.
Como todos os outros eu me sentei e acreditei naquilo. Era mentira. Mais tarde eu iria ver com os meus próprios olhos o que tinha acontecido.
Havia um grupo de cerca de 6 alunos da UERJ conversando atrás de mim. Os comentários eram incrivelmente animadores.
"Ih, na chuva do ano passado teve professor dormindo na UERJ"
"É, minha amiga teve que esperar dentro do ônibus e só chegou em casa 3 horas da madrugada"
"Relaxa aí pessoal, o jeito é esperar"
A passividade deles era assustadora. Como assim relaxar até 3 horas da madrugada? Uma das meninas colocou uma venda nos olhos e começou a dormir. A outra pegou o celular e começou a assistir CQC. O outro abriu um pacote de biscoitos. Apenas um deles parecia querer mudar a situação.
Apesar disso eu continuei sentado e me mantive passivo como eles. Pela janela consegui ver comboios de pessoas passando com a água batendo até os joelhos. Ouvi comentários de dentro do ônibus chamando-os de malucos. Eu discordava. Naquela hora eu preferia estar lá fora andando até minha casa do que ficar de braços cruzados dentro do ônibus. Só me faltava coragem e alguém pra me guiar naquele terreno desconhecido. Eu não sabia para onde ficava o metrô.
O motorista desligou o ônibus. Fiquei mais de uma hora ali observando uma moça entediada com os papos estranhos de um senhor, tentando escutar as piadas da Monica Iozzi e invejando as pessoas que passavam encharcadas ao lado do ônibus.
Até que, enfim, a correnteza mudou. Um rapaz de cerca de 25 anos levantou atrás de mim e foi decidido até a porta do ônibus. Um dos estudantes da UERJ comentou:
- Aquele cara ali parece que vai fazer alguma loucura. E eu vou é com ele.
Era tudo o que eu precisava.
- Algum de vocês sabe como faz pra chegar no metrô?
Mais tarde eu descobri que um deles fazia Matemática na Uerj, e o outro trabalhava em um albergue no Leblon. O matemático me respondeu que sabia. Mas não tinha certeza qual era a melhor estação que deveríamos pegar. A de São Cristóvão, do Maracanã ou a São Francisco Xavier. Aparentemente estavamos no meio do caminho das três.
Nós concordamos que a melhor saída era pular daquele ônibus. A chuva continuava forte e a situação não iria mudar tão cedo. O trânsito estava parado há mais de uma hora. O matemático ainda consultou o motorista sobre sair do ônibus.
- Meu filho, aguarda aí que a chuva já vai parar. Você não sabe o que tem lá fora, é perigoso, o melhor a fazer é ficar no ônibus.
A porta da frente do ônibus era a única aberta. Eu disse para os dois que não tinha jeito, nós tínhamos que sair dali porque a situação não ia melhorar. Coloquei os óculos dentro da mochila e pulamos a roleta do trocador. Foram os R$2,40 mais bem gastos da minha vida.
Quando coloquei meus pés na água, não imaginava que fosse estar tão gelada. Meu instinto natural foi achar um grande pedaço de iceberg para deixar a Rose a salvo. Depois de ouvir um grito, acordei.
- A ESTAÇÃO DO METRÔ É LÁ NA FRENTE!
Estávamos na Rua São Francisco Xavier. Há cerca de 4 quadras do Colégio Militar. Passamos pelos carros que separavam nosso ônibus do semáforo mais próximo. Ali conseguimos entender porque estava tudo parado.
A cada encruzilhada da rua, formavam-se lagoas. Não eram carros enguiçados ou trânsitos extensos. Lagoas impediam que qualquer carro cruzasse as ruas. E não apenas isso. A correnteza era fortíssima. Um pouco antes de cruzarmos um desses lagos, um experiente homem de cerca de 40 anos juntou-se ao nosso comboio. Ele nos dava instruções ao meio da chuva e de raios e trovões.
- NÃO LEVANTA MUITO O PÉ SENÃO A CORRENTEZA VAI TE LEVAR.
Era a minha primeira vez num dilúvio, eu TINHA que levantar um pouco o pé pra ver como era. Quase caí naquela água enlamaçada. Dava para sentir o lodo ao pisar no chão daquela lagoa.
Após essa primeira encruzilhada auxiliamos um comboio que vinha do lado oposto. Na minha experiência já pude comentar.
- Vai andando como seus pés tivessem amarrados um no outro!
Por vários momentos trocamos informações com outras pessoas que passavam por nosso caminho. Era incrível como o ser humano se une nessas horas. Nessas situações não existe idade, cor, sexo ou gênero. Todo mundo é igual. Todo mundo está tentando chegar em casa e tenta ajudar o próximo em fazer o mesmo.
A cada posto de gasolina que pássavamos, dava para avistar pessoas de paletós e vestidos sequinhas abaixo do teto das lojas de conveniência. As pessoas nos olhavam como se fossemos animais em busca da sobrevivência. E nós éramos.
Passamos por outra lagoa de correnteza forte. Depois dessa, chegamos em um ponto da rua em que só estava alagada pelos cantos. Ali já haviam carros passando e pessoas com guarda-chuvas.
Havíamos andado cerca de meio quilômetro para enfim chegar na estação do metrô. A chuva já não estava mais tão forte. Eu estava ensopado da cabeça aos pés e era irônico como haviam pessoas dentro da estação com medo de pegar a parte mais fraca da chuva.
No final não houve resgate de helicóptero e um lindo pôr do sol. Ao invés disso, um vagão quente e quase vazio. Depois de alguns minutos de viagem entendi porque os filmes terminam assim que os principais chegam em um lugar seguro. O silêncio se instaurou. Não havia assunto. Como trilha sonora para o final, apenas os espirros do jovem matemático.
Não trocamos e-mail, telefone ou facebook. Nos cumprimentamos com um aperto de mão honrados de termos passado por aquilo. E então cada um seguiu o seu caminho.
Relato referente à chuva de 25 de abril de 2011.
As pessoas levantavam de seus assentos e iam até o motorista perguntar o que estava acontecendo.
- Tem muitos carros enguiçados lá na frente por causa da chuva, por isso que está esse trânsito. Depois que os carros forem rebocados a gente vai poder continuar.
Como todos os outros eu me sentei e acreditei naquilo. Era mentira. Mais tarde eu iria ver com os meus próprios olhos o que tinha acontecido.
Havia um grupo de cerca de 6 alunos da UERJ conversando atrás de mim. Os comentários eram incrivelmente animadores.
"Ih, na chuva do ano passado teve professor dormindo na UERJ"
"É, minha amiga teve que esperar dentro do ônibus e só chegou em casa 3 horas da madrugada"
"Relaxa aí pessoal, o jeito é esperar"
A passividade deles era assustadora. Como assim relaxar até 3 horas da madrugada? Uma das meninas colocou uma venda nos olhos e começou a dormir. A outra pegou o celular e começou a assistir CQC. O outro abriu um pacote de biscoitos. Apenas um deles parecia querer mudar a situação.
Apesar disso eu continuei sentado e me mantive passivo como eles. Pela janela consegui ver comboios de pessoas passando com a água batendo até os joelhos. Ouvi comentários de dentro do ônibus chamando-os de malucos. Eu discordava. Naquela hora eu preferia estar lá fora andando até minha casa do que ficar de braços cruzados dentro do ônibus. Só me faltava coragem e alguém pra me guiar naquele terreno desconhecido. Eu não sabia para onde ficava o metrô.
O motorista desligou o ônibus. Fiquei mais de uma hora ali observando uma moça entediada com os papos estranhos de um senhor, tentando escutar as piadas da Monica Iozzi e invejando as pessoas que passavam encharcadas ao lado do ônibus.
Até que, enfim, a correnteza mudou. Um rapaz de cerca de 25 anos levantou atrás de mim e foi decidido até a porta do ônibus. Um dos estudantes da UERJ comentou:
- Aquele cara ali parece que vai fazer alguma loucura. E eu vou é com ele.
Era tudo o que eu precisava.
- Algum de vocês sabe como faz pra chegar no metrô?
Mais tarde eu descobri que um deles fazia Matemática na Uerj, e o outro trabalhava em um albergue no Leblon. O matemático me respondeu que sabia. Mas não tinha certeza qual era a melhor estação que deveríamos pegar. A de São Cristóvão, do Maracanã ou a São Francisco Xavier. Aparentemente estavamos no meio do caminho das três.
Nós concordamos que a melhor saída era pular daquele ônibus. A chuva continuava forte e a situação não iria mudar tão cedo. O trânsito estava parado há mais de uma hora. O matemático ainda consultou o motorista sobre sair do ônibus.
- Meu filho, aguarda aí que a chuva já vai parar. Você não sabe o que tem lá fora, é perigoso, o melhor a fazer é ficar no ônibus.
A porta da frente do ônibus era a única aberta. Eu disse para os dois que não tinha jeito, nós tínhamos que sair dali porque a situação não ia melhorar. Coloquei os óculos dentro da mochila e pulamos a roleta do trocador. Foram os R$2,40 mais bem gastos da minha vida.
Quando coloquei meus pés na água, não imaginava que fosse estar tão gelada. Meu instinto natural foi achar um grande pedaço de iceberg para deixar a Rose a salvo. Depois de ouvir um grito, acordei.
- A ESTAÇÃO DO METRÔ É LÁ NA FRENTE!
Estávamos na Rua São Francisco Xavier. Há cerca de 4 quadras do Colégio Militar. Passamos pelos carros que separavam nosso ônibus do semáforo mais próximo. Ali conseguimos entender porque estava tudo parado.
A cada encruzilhada da rua, formavam-se lagoas. Não eram carros enguiçados ou trânsitos extensos. Lagoas impediam que qualquer carro cruzasse as ruas. E não apenas isso. A correnteza era fortíssima. Um pouco antes de cruzarmos um desses lagos, um experiente homem de cerca de 40 anos juntou-se ao nosso comboio. Ele nos dava instruções ao meio da chuva e de raios e trovões.
- NÃO LEVANTA MUITO O PÉ SENÃO A CORRENTEZA VAI TE LEVAR.
Era a minha primeira vez num dilúvio, eu TINHA que levantar um pouco o pé pra ver como era. Quase caí naquela água enlamaçada. Dava para sentir o lodo ao pisar no chão daquela lagoa.
Após essa primeira encruzilhada auxiliamos um comboio que vinha do lado oposto. Na minha experiência já pude comentar.
- Vai andando como seus pés tivessem amarrados um no outro!
Por vários momentos trocamos informações com outras pessoas que passavam por nosso caminho. Era incrível como o ser humano se une nessas horas. Nessas situações não existe idade, cor, sexo ou gênero. Todo mundo é igual. Todo mundo está tentando chegar em casa e tenta ajudar o próximo em fazer o mesmo.
A cada posto de gasolina que pássavamos, dava para avistar pessoas de paletós e vestidos sequinhas abaixo do teto das lojas de conveniência. As pessoas nos olhavam como se fossemos animais em busca da sobrevivência. E nós éramos.
Passamos por outra lagoa de correnteza forte. Depois dessa, chegamos em um ponto da rua em que só estava alagada pelos cantos. Ali já haviam carros passando e pessoas com guarda-chuvas.
Havíamos andado cerca de meio quilômetro para enfim chegar na estação do metrô. A chuva já não estava mais tão forte. Eu estava ensopado da cabeça aos pés e era irônico como haviam pessoas dentro da estação com medo de pegar a parte mais fraca da chuva.
No final não houve resgate de helicóptero e um lindo pôr do sol. Ao invés disso, um vagão quente e quase vazio. Depois de alguns minutos de viagem entendi porque os filmes terminam assim que os principais chegam em um lugar seguro. O silêncio se instaurou. Não havia assunto. Como trilha sonora para o final, apenas os espirros do jovem matemático.
Não trocamos e-mail, telefone ou facebook. Nos cumprimentamos com um aperto de mão honrados de termos passado por aquilo. E então cada um seguiu o seu caminho.
Relato referente à chuva de 25 de abril de 2011.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Neline (incompleto)
Peguei um ônibus no Aeroporto do Galeão para voltar pra casa. As malas dos turistas que estavam chegando no Rio de Janeiro entupiam os corredores do ônibus, impedindo que um casal de alemães e sua pequena filha conseguissem um lugar no fundo. Um passageiro tentou ajudá-los falando em português. Depois tentou ajudá-los falando em português lento. E por último com gestos.
- We don't speak portuguese, sorry!
Tive de intervir.
- He told you to sit here, and he will go sit over there.
Ela sentou do meu lado, com a filha no colo. O marido teve que pular as malas pra conseguir um lugar no final do ônibus.
- Thank you very much, are you brazilian?
- Yes. And you, where are you from?
- We are from Germany. You live around here?
- No, no. I was around, so i came to the airport to get the bus to my place.
- Oh, I see.
Ela traduzia tudo para a filha. Alemão e português eram línguas completamente diferentes, mas dava pra sentir.
Mandei mensagens de texo para os meus amigos perguntando se eles tinham alguma pergunta pra fazer. As respostas:
"Pergunta pra ela o que ela acha do Obama e do Sarkozy com a guerra na Líbia"
"Pergunta pra ela sobre a Europa, e se ela conhece um bom hotel em Amsterdãm"
"Ela é bonita? Pergunta se é solteira."
É aí que você se dá conta que cada um dos seus amigos representa uma parte de você.
Perguntei para ela sobre o que ela conhecia da europa, no que ela trabalhava, o que tinha achado de Amsterdam.
Ela era química, já havia visitado mais de 10 países da Europa, e me contou tudo sobre as drogas que você pode comprar em Amsterdam. (incompleto, to atrasado)
Sua filha estava esparramada em seu colo. Passamos pela praia do flamengo, praia de botafogo e pelo "sugar loaf in the dark".
- I have to go now.
Ela se levantou com a filha. Eu coloquei suas malas que estavam no chão na minha poltrona, enquanto ela me agradecia pela conversa.
- What's your name?
- Neline. And you?
- I'm Gabriel
Houve um sorriso mútuo e um adeus.
Desci do ônibus e fui pra casa... e agora vou sair denovo.
- We don't speak portuguese, sorry!
Tive de intervir.
- He told you to sit here, and he will go sit over there.
Ela sentou do meu lado, com a filha no colo. O marido teve que pular as malas pra conseguir um lugar no final do ônibus.
- Thank you very much, are you brazilian?
- Yes. And you, where are you from?
- We are from Germany. You live around here?
- No, no. I was around, so i came to the airport to get the bus to my place.
- Oh, I see.
Ela traduzia tudo para a filha. Alemão e português eram línguas completamente diferentes, mas dava pra sentir.
Mandei mensagens de texo para os meus amigos perguntando se eles tinham alguma pergunta pra fazer. As respostas:
"Pergunta pra ela o que ela acha do Obama e do Sarkozy com a guerra na Líbia"
"Pergunta pra ela sobre a Europa, e se ela conhece um bom hotel em Amsterdãm"
"Ela é bonita? Pergunta se é solteira."
É aí que você se dá conta que cada um dos seus amigos representa uma parte de você.
Perguntei para ela sobre o que ela conhecia da europa, no que ela trabalhava, o que tinha achado de Amsterdam.
Ela era química, já havia visitado mais de 10 países da Europa, e me contou tudo sobre as drogas que você pode comprar em Amsterdam. (incompleto, to atrasado)
Sua filha estava esparramada em seu colo. Passamos pela praia do flamengo, praia de botafogo e pelo "sugar loaf in the dark".
- I have to go now.
Ela se levantou com a filha. Eu coloquei suas malas que estavam no chão na minha poltrona, enquanto ela me agradecia pela conversa.
- What's your name?
- Neline. And you?
- I'm Gabriel
Houve um sorriso mútuo e um adeus.
Desci do ônibus e fui pra casa... e agora vou sair denovo.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Todos querem ser Cult
- Por que hoje em dia as pessoas não entram mais no msn? Só ficam no chat do Facebook?
- Porque o Facebook é cult. E as pessoas querem ser cult.
- Realmente. Semana passada eu assisti um filme de 1932. Só porque ele era de 1932.
- Porque o Facebook é cult. E as pessoas querem ser cult.
- Realmente. Semana passada eu assisti um filme de 1932. Só porque ele era de 1932.
Ades sabor Abacaxi com Limão
O novo Ades sabor abacaxi com limão tem gosto de bala Juquinha. Me sinto como se eu estivesse com meio litro de festa infantil na barriga.
sábado, 12 de março de 2011
36 anos
Peguei um ônibus em copacabana para voltar para casa. Ele estava cheio, tive que me sentar do lado de uma mulher que aparentava ter uns 36 anos.Era um sábado de carnaval, o ônibus havia pego uma rua com bloco, então iria demorar. Eu tinha dois caminhos, ou me entediar pensando nos meus próprios problemas ou me divertir ali mesmo.
- Oi, tudo bem? Posso ler sua mão?
- Hãn?
- O ônibus vai demorar, e eu tenho tido aulas de quiromancia e queria testar com alguém.
- Por que você não lê a dos seus amigos?
- Porque eu os conheço muito bem, e eu não saberia dizer se a leitura está dando certo ou eu estou seguindo o que conheço deles.
- Não é sacanagem né?
- Não, não.
- Você cobra pela leitura?
- Hahaha, eu tenho cara de cigano?
- Não tem não, desculpa... Tá, pode ler.
Peguei sua mão e primeiro analisei a linha do amor, depois a linha da cabeça e e enfim a linha da vida.
- Você é uma pessoa que se entrega completamente nos seus relacionamentos, e isso já deve ter sido a causa de sérios problemas na sua vida amorosa... Ou você trabalha com algo relacionado a biologia, ou seus pais são separados... E por último, você não é uma pessoa que vive uma vida de aventuras e topa qualquer coisa pra sair de casa. Você vive cautelosamente, mas isso não significa que sua vida não seja intensa do seu ponto de vista.
Olhei para o seu rosto e vi seus olhos arregalados. Eu já estava esperando pelas típicas peguntas de "Como você fez isso?", "Onde eu posso aprender" quando ela cortou os meus pensamentos.
- Eu me divorciei semana passada. Amava um cara que agora não sei nem porque me pediu em casamento. Eu cursei biologia na faculdade, mas não segui o ramo. E eu realmente sou chatinha para sair de casa.
Será que eu deveria seguir uma carreira de cigano? Até eu estava surpreendido com o resultado. Os papéis haviam invertido. Agora eu é quem estava achando que ela estava me sacaneando. Mas ela continuou:
- Qual é o seu nome?
- Gabriel... e o seu?
- Meu nome é Amanda.
Ao som de "Minha mulher não deixa não" e com um ônibus rodeado de foliantes ela me perguntou sobre a minha vida, o que eu fazia, e os meus sonhos. Amanda tinha 36 anos e tinha perdido a fé no amor completamente após uma sucessão de decepções amorosas. Eu contei a ela minhas histórias nos últimos dois anos.
- Mas você é jovem demais pra ficar sofrendo.
- Eu acho que todos nós somos jovens demais pra sofrer...
Ela olhou para a janela e refletiu. Continuamos a conversar e dez minutos depois descemos no mesmo ponto. Caminhei até a casa dela, e ela me deu um cartão do seu escritório. Fui comprar meu pão e voltei pra casa.
- Oi, tudo bem? Posso ler sua mão?
- Hãn?
- O ônibus vai demorar, e eu tenho tido aulas de quiromancia e queria testar com alguém.
- Por que você não lê a dos seus amigos?
- Porque eu os conheço muito bem, e eu não saberia dizer se a leitura está dando certo ou eu estou seguindo o que conheço deles.
- Não é sacanagem né?
- Não, não.
- Você cobra pela leitura?
- Hahaha, eu tenho cara de cigano?
- Não tem não, desculpa... Tá, pode ler.
Peguei sua mão e primeiro analisei a linha do amor, depois a linha da cabeça e e enfim a linha da vida.
- Você é uma pessoa que se entrega completamente nos seus relacionamentos, e isso já deve ter sido a causa de sérios problemas na sua vida amorosa... Ou você trabalha com algo relacionado a biologia, ou seus pais são separados... E por último, você não é uma pessoa que vive uma vida de aventuras e topa qualquer coisa pra sair de casa. Você vive cautelosamente, mas isso não significa que sua vida não seja intensa do seu ponto de vista.
Olhei para o seu rosto e vi seus olhos arregalados. Eu já estava esperando pelas típicas peguntas de "Como você fez isso?", "Onde eu posso aprender" quando ela cortou os meus pensamentos.
- Eu me divorciei semana passada. Amava um cara que agora não sei nem porque me pediu em casamento. Eu cursei biologia na faculdade, mas não segui o ramo. E eu realmente sou chatinha para sair de casa.
Será que eu deveria seguir uma carreira de cigano? Até eu estava surpreendido com o resultado. Os papéis haviam invertido. Agora eu é quem estava achando que ela estava me sacaneando. Mas ela continuou:
- Qual é o seu nome?
- Gabriel... e o seu?
- Meu nome é Amanda.
Ao som de "Minha mulher não deixa não" e com um ônibus rodeado de foliantes ela me perguntou sobre a minha vida, o que eu fazia, e os meus sonhos. Amanda tinha 36 anos e tinha perdido a fé no amor completamente após uma sucessão de decepções amorosas. Eu contei a ela minhas histórias nos últimos dois anos.
- Mas você é jovem demais pra ficar sofrendo.
- Eu acho que todos nós somos jovens demais pra sofrer...
Ela olhou para a janela e refletiu. Continuamos a conversar e dez minutos depois descemos no mesmo ponto. Caminhei até a casa dela, e ela me deu um cartão do seu escritório. Fui comprar meu pão e voltei pra casa.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
JUST - IN ... ?
Aula de Geografia:
- Bom, temos o Fordismo, com o sistema da linha de montagem e também mais tarde apareceu o Toyotismo, com o sistema de JUST - IN... ?
- BIEBER!
- Bom, temos o Fordismo, com o sistema da linha de montagem e também mais tarde apareceu o Toyotismo, com o sistema de JUST - IN... ?
- BIEBER!
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Complexo do Alemão
Professor de redação me pergunta:
- E você, vai fazer vestibular para o que?
- Psicologia.
- Vai se dar bem hein, ainda mais com esses estudos sobre aquela doença, aquele tal de Complexo do Alemão né?
- ...
- E você, vai fazer vestibular para o que?
- Psicologia.
- Vai se dar bem hein, ainda mais com esses estudos sobre aquela doença, aquele tal de Complexo do Alemão né?
- ...
Assinar:
Comentários (Atom)