domingo, 7 de agosto de 2011

Gabriel Melgaço contra o Ministério da Saúde

Passava os dedos entre os livros sublinhando o nome dos autores. Aproveitava o tempo daquele último dia de férias na livraria. Já havia poupado mais de cem reais lendo trechos de livros famosos, e desconhecidos. Ao anoitecer, fui em busca do remédio.

Saí pelas ruas. Na primeira esquina, o letreiro amarelado da drograria me chamava. Entrei. Pedi ao atendente o que eu buscava.
- Você tem a prescrição médica para esse remédio?
- Mensagem de texto de mãe serve?
- Não.
- Tá.

Eu poderia ter ficado chateado, desmotivado, mas lembrei de Joseph Climber. Persisti. Passei por mais quatro drogarias. Entrava nas farmácias perguntando pelo remédio como se fosse a primeira vez. Todos os atendentes sempre pediam pela prescrição, e eu saía das farmácias de mão abanando.

Mais próximo de casa, encontrei um humilde estabelecimento. Entrei decidido. Pedi pelo remédio. Dessa vez o atendente não me questionou e foi buscá-lo. Temi pela intervenção dos outros atendentes, mas os melhores momentos de Santos e Ceará os deixava distraídos. Se eu estivesse vestido com a camisa do meu time do coração, beijaria o escudo naquele momento.
Os segundos passavam como minutos enquanto o remédio era embrulhado na sacola plástica.

Saí da pequena farmácia com um largo sorriso no rosto. O desafio me instigou. E não havia nada melhor do que a sensação de vitória.